quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Seminário: O que está em jogo com as mudanças no Código Florestal?

O Comitê em Defesa do Código Florestal - São Carlos convidada todos os estudantes, entidades, cidadãos e cidadãs são-carlenses a participarem do:

Seminário Municipal:
O QUE ESTÁ EM JOGO COM AS MUDANÇAS NO CÓDIGO FLORESTAL?

Dia 24 de setembro | Sábado
A partir das 14h30
No auditório Bento Prado Jr, do Paço Municipal de São Carlos
[esquina das ruas Episcopal e Major José Inácio, no centro]

Convidados:

Victor Ranieri | Engenheiro Agronômico, mestre e doutor pela USP, é professor e pesquisador da área de gestão ambiental na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC-USP).
Luiz Zarref | Engenheiro Florestal e mestre em Agroecologia, é dirigente da Via Campesina, organização que congrega diversos movimentos sociais ligados à questão agrária.

Sobre a proposta do Seminário:

O Código Florestal é uma das bases da legislação ambiental brasileira, e o Congresso Nacional está discutindo alterações nessa lei. Mas apesar da importância desse debate, ele não tem sido tratado com a profundidade necessária, e está ainda muito distante da população em geral. 

As mudanças propostas trazem enormes impactos, não apenas pra preservação das florestas, mas pra todos nós e nosso direito à água, ao alimento saudável e à qualidade de vida. Qual a importância do Código para a sociedade? O que está sendo alterado e por quais motivos? Quais as consequências dessas alterações para a vida de todos nós e as alternativas a elas?

Pra trazer essa discussão de forma mais aprofundada para toda a comunidade são-carlense é que foi pensado esse Seminário. Estão todos convidados!





Realização: Comitê em Defesa do Código Florestal - São Carlos

Apoio: 
Prefeitura Municipal de São Carlos
Comitê Paulista em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável


domingo, 21 de agosto de 2011

Blog atualizado! Manifesto e Abaixo-assinado!

Depois de algum tempo sem atualizar nosso blog, voltamos com a vontade e a força redobrados na luta em defesa do Código Florestal, a favor da vida e não dos lucros dos grandes fazendeiros.

E já estão aqui no blog duas grandes ferramentas dessa nossa luta: o manifesto que guia a atuação do nosso comitê e o abaixo-assinado que está sendo construído nacionalmente. Eles estão presentes nas abas "Nosso Manifesto" e "Abaixo-Assinado".

Relembrando também que as nossas reuniões semanais já voltaram. Elas continuam acontecendo todas as quintas-feiras, às 19h, no prédio da Arquitetura, campus 1 da USP São Carlos.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Presidente da OAB de Ribeirão Bonito agride convidados durante palestra de Aldo Rebelo



por Leandro Cruz*
Ribeirão Bonito é um lugar bonito. Daquelas cidadezinhas agradáveis, com uma igrejinha bem graciosa. A localidade de pouco mais de 11 mil habitantes ainda não consta no Google Maps, mas fica no meio do estado de São Paulo, é, sobretudo, uma cidade cheirosa. O cheiro doce da cana de açúcar que domina o ar frio das noites de junho. Apesar da aparência, a cidade que compra de fora a maior parte de seu alimento não é pacata. Já existe por lá, por exemplo, a preocupação com a epidemia da droga 'oxi' que já começa a matar as pessoas da rua gelada e cheirosa.
Ontem, Aldo Rebelo (PCdoB), relator do projeto da emenda 164, que reforma o Código Florestal Brasileiro estava na cidade para proferir palestra sobre o tema em um evento organizado pela OAB 216a subseção, presidida por José Affonso Monteiro Celestino ( http://josecelestino.wordpress.com/ ). Três integrantes do Comitê em Defesa do Código Florestal – São Carlos (Eu, o estudante de Engenharia Ambiental da USP, Pedro Zannette; a estudante de Imagem e Som da Ufscar Natália) comparecemos para assistir à palestra. A presença de representantes do comitê já havia sido combinada anteriormente, como mostram os emails abaixo.

Nós três comparecemos pacificamente, sem tumulto nem mesmo manifestação. Queríamos ouvir ao vivo o lado da argumentação dos ruralistas. Somos contra as mudanças no código por todas as razões já elencadas em nossos panfletos, materiais didáticos e nesse blog. Simplesmente queríamos ouvir a palestra, e entregar aos demais espectadores um papel constando o endereço de nosso blog para que pudessem acessar e ver os argumentos do lado contrário às mudanças no Código caso se interessassem (veja abaixo o "panfleto" entregue pacificamente).

O cidadão Pedro deixou um desses papeis sobre a mesa do evento que acontecia no clube Primavera. No mesmo instante um homem grande que a princípio pensamos ser um "leão de chácara" do clube do local se aproxima agressivamente, agarra o estudante pelo pescoço e tenta tenta retirá-lo à força. A sequência de patética truculência continua com o suposto segurança empurrando convidados desarmados, tentando tomar a câmera de video dos membros do comitê à força. Não bastasse isso, o brutamontes de terno ainda agarraria a estudante Natalia, de 21 anos, à força, apertaria seu braço, arrancaria a garota à força do local da palestra e a empurraria violentamente, jogando-a para fora do local sem que a garota houvesse feito qualquer coisa contra as pessoas, a lei ou o evento.
Após ameaças e agressões contra nós, os a organização do evento chamou a Polícia para deter os três membros do comitê, a quem qualificaram como “manifestantes” e “baderneiros”. Três viaturas com policiais fortemente armados logo apareceram. Terminaríamos a noite na delegacia. Mas não seria na condição de acusados, poi nada fazíamos de errado ou inconstitucional. Iríamos para a delegacia como reclamantes, e registramos boletim de ocorrência contra o brutamontes cuja identidade secreta na verdade era:  José Affonso Monteiro Celestino, o presidente da OAB local, ligado aos produtores de cana-de-açúcar paulistas.
Além disso, o presidente da OAB de Ribeirão Bonito, que arrancou os estudantes e o professor à força do local, não permitiu que os mesmos retirassem seus pertences que haviam deixado dentro do salão, o que inclui o material didático que o Comitê, formado por pessoas de diversos setores da sociedade civil organizada, usa nas suas atividades em escolas de São Carlos.
O que eles têm a esconder? Por que não nos deixam ouvir? Por que a imprensa “convencional” não estava presente para cobrir esse encontro do topo da cadeia do açúcar e álcool com o relator da reforma do Código Florestal? Por que nós, que temos uma opinião diferente da deles, não podemos sequer ouvi-los para tentar entender o ponto de vista deles? Por que não podemos convidar as pessoas a ouvirem também o nosso ponto de vista? O que não querem que nós saibamos? E por que não nos deixam falar? O que eles têm a esconder?
Nós não temos nada a esconder, nada do que nos envergonhar. Somos só pessoas, brasileiros que se preocupam com essa questão tão importante para todos nós, cidadãos; todos nós do Brasil, iguais perante a lei. Porque não podemos conversar?
O fato é que não estamos sozinhos. Não somos três perdidos em um clube. Não somos uma centena em São Carlos. Somos milhões de cidadãos de uma Democracia. Cidadão brasileiros que querem participar democraticamente dos debates e decisões de questões importantes como o futuro do Planeta e do País que queremos; da Terra e do Brasil que deixaremos para todos aqueles que vierem depois de nós, nos próximos anos e séculos.
Por isso somos estudantes, professores, advogados, nerds, músicos, malabares, ONGs, militantes políticos, desempregados, professores, secundaristas, castanheiros, gente que trabalha para o Estado, para empresas, para a comunidade. Gente de diversas idades, raças, lugares, talento. Mas que está junto por que compartilha do sentimento de que o que estão para fazer com a Natureza é um crime escandaloso, e de que devíamos ver cumpridos nossos direitos constitucionais de liberdade de pensamento e expressão.
Por isso continuaremos pacíficos e não-violentos, usando só a Força da Verdade. Continuaremos escrevendo e indo a escolas e conversando no boca-a-boca. Falando a nossa opinião. Não revidaremos a violência. Mas toda essa gente (estudantes, trabalhadores, desempregados, professores etc.) vai mostrar e dizer a verdade sobre como aqueles que querem impor o novo Código Florestal em Brasília é que são violentos.
Vamos sim mostrar o outro lado das coisas em nossos blogs, mesas de bar, praças, escolas, de baixo de nossas árvores. Por isso eu peço a todos que ajudem a divulgar esse vídeo, para todos os setores da sociedade saibam que existe um outro lado, sim. Mas que querem calar. Por que?
Nesse blog, as pessoas continuarão publicando o lado que os grandões não mostram. É uma luta de saci contra Golias. Ajudem a divulgar. Não se calem. Informem-se sobre o Código Florestal, forme opinião. Divulgue nas redes, usem a tag #codigoflorestal para debater nacionalmente. Continue acompanhando o blog e façam blogs. É muito importante. É um apelo de um compatriota. Nesse momento, peço que assistam e divulguem esse vídeo e tirem suas conclusões. O Brasil tem direito à Verdade. E nós temos também muitos Direitos inclusive garantidos por nossa Constituição.
Aldo Rebelo prometeu uma entrevista para nós. Certamente ele há de cumprir a promessa que não pode ser feita na noite de ontem devido às agressões que sofremos.

*LEANDRO CRUZ, 28, é professor de História e historiador formado pela Unesp-Franca. Abandonou os cursos de Jornalismo (Unesp-Bauru) no último ano e de publicidade no primeiro (e não se arrepende nenhum pouco). Fazia fanzines quando moleque e web sites quando a internet ainda engatinhava. Foi repórter, editor de Opinião, editor do Noticiário Internacional, editorialista e colunista do Jornal Comércio da Franca ( http://www.gcn.net.br/home/index.php ) entre 2005 e 2007. Fez trabalhos como comentarista político na Rádio Difusora de Franca no período em que trabalhava no JCN. Trabalhou produzindo conteúdo freelancer para o site Campo News (portal Tem Mais http://www.temmais.com/ ) Escreve semanalmente no Jornal do Povo (Cachoeira do Sul-RS www.jornaldopovo.com.br ) a coluna Viagem no Tempo, desde 2008. Mantém o blog Viagem no Tempo  ( www.viagemnotempo.com.br ) desde 2009. Em 2003 idealizou o primeiro comitê ciberativista contra a Guerra do Iraque, quando militante do movimento est Unesp-Franca usando as “armas” da época (ICQ, Email, MIRC). É militante pelo direito à informação e membro do Comitê em Defesa do Código Florestal – São Carlos e colaborador do portal colaborativo Teia Livre ( www.teialivre.com.br )

Saiba mais sobre a postura da OAB Nacional sobre o Tema: http://www.oab.org.br/noticia.asp?id=21862

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Texto de Professo da USP


Novo Código Florestal: Um tiro na boca do Brasil

Prof. Dr. Sergius Gandolfi
Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal
Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”
Universidade de São Paulo

A verdadeira cláusula pétrea da Constituição Brasileira é o Brasil, o Brasil real que deve permanecer enquanto passam por ele as gerações. Não se pode aprovar uma lei que determine a destruição do país real. A manutenção de cultivos agrícolas e pastos nas áreas que deveriam estar recobertas por florestas para proteger o relevo, os cursos d água, etc., como pretende a Nova Lei, significa a eternização da degradação dos rios brasileiros, a eternização da degradação do País real. Vendida ao público como mera medida pragmática, ela trás no seu ventre conseqüências locais e gerais que os autores da lei não querem ver discutidas, e que a imprensa parece não se esforçar em elucidar.
Não se pode trair o Brasil!
Cerca de 70% das terras cultivadas ou usadas como pastos no Brasil estão nas mãos de apenas cerca de 12% dos proprietários rurais! Nessas terras a ocupação das áreas de preservação permanente não se faz por falta de áreas adequadas para cultivo, ou pastejo, antes resulta da decisão conscientes de pecuaristas, sojicultores, canavieiros e outros tantos grandes agricultores em desrespeitar a lei e degradar cursos d’ água visando assim aumentar indevidamente seus lucros. Como herança maldita despejam eles sobre a sociedade o ônus da poluição hídrica, do progressivo aterramento das calhas dos rios, açudes, lagos, reservatórios de abastecimento público, de geração de energia elétrica, dos portos fluviais e marinhos, entre outros danos.
Não se pode trair o Brasil!
A quem interessa a destruição das florestas nas pequenas propriedades rurais brasileiras?
Não aos brasileiros, não aos pequenos produtores que sem essas florestas verão seus cultivos ficarem privados de polinizadores e de insetos controladores de pragas das agrícolas, uma situação que irá reduzir suas as safras e aumentará os custos com controle de pragas, empobrecendo-os ainda mais.
A nova lei, como sereia atrai os produtores falando-lhes de lucros maiores, fruto da menor, ou nenhuma proteção ambiental, mas esconde deles, e de todos brasileiros que ao permitir a eternização dos cultivos nas margens dos rios, a redução das faixas de florestas ribeirinhas de proteção, e ao induzir a não restauração adequada das matas ciliares estarão eles condenando córregos, ribeirões e rios á destruição, cursos d´água de que eles próprios dependem para saciar a sede dos seus cultivos, da sua criação e de seus familiares e de que depende o Brasil real para existir.
Não se pode trair o Brasil!
A quem interessa a destruição da biodiversidade brasileira?
Não aos brasileiros, que ao destruírem suas florestas se verão privados, agora e no futuro, de aproveitarem o inesgotável manancial de matéria-primas estocado nessas vegetações, cuja exploração sustentável deveria estar sendo estimulada por um verdadeiro Código Floresta que não fosse, como o proposto, contrário ao país e seus cidadãos.
Se mantidas as reservas legais em todas as propriedades rurais poderiam delas surgir cadeias para a produção sustentável de lenha e carvão para a siderurgia, de madeira para a construção civil, de frutos, únicos no mundo, para consumo interno e exportação, de fármacos, de cosméticos, etc. Entre estimular a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico, a ordenação da exploração produtiva sustentável e a geração de mais emprego e renda, preferem os legisladores enganar o pequeno, para na realidade, marotos, apenas fazerem desaparecer com a “nova norma” o passivo ambiental criminoso acumulado pelos grandes. com enriquecimento ilícito.
Não se pode trair o Brasil!
Ao pequeno em situação irregular deveria a lei favorecer estímulos, orientação e prazos mais longos para que se regularizasse, ao médio e grande deveria a lei cobrar um programa efetivo, e não folclórico, de re-adequação, custeado sim pelo próprio lucro irregular que eles acumularam no curso de anos e décadas de uso ilegal. Feita a adequação ambiental das propriedades rurais, a certificação ambiental poderia ser estabelecida como uma ferramenta para a penetração em novos mercados e para a valorização da produção, com lucros maiores resultantes da qualidade ambiental dos produtos.
Não se podem perdoar políticos e partidos da situação que para por a faca no pescoço do executivo, votem contra o Brasil para obter com barganhas quireras e migalhas do poder.
Não se podem perdoar de forma alguma políticos e partidos de oposição que “entorpecidos” com pautas menores, e apenas para fustigar o governo de ocasião, traiam os interesses permanentes do Brasil, em troca do brilho fugaz das câmaras da imprensa.
Não se pode trair o Brasil!
É urgente que também a imprensa abandone o tom insosso, inodoro e incolor com que vem tratando o absurdo Novo Código Florestal, é hora de se explicitarem, com cor, calor e veemência, as graves conseqüências ambientais, agrícolas, econômicas e sociais que aplicação dessa norma pode ter sobre o País real.
Não se pode trair o Brasil!
Que se mude no Senado a proposta vinda da Câmara, que seja obrigatório um PLEBISICITO PÚBLICO, para se definir se a nova norma deve ou não entrar em vigor, ou que instrumentos nela propostos devam ou não vigorar.
Os brasileiros de hoje e de manhã, precisam agora de Senadores dignos desse título!
Não se pode trair o Brasil.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Olá! Sejam bem-vindos ao nosso blog!

Aqui você encontrará informações sobre a mobilização em torno da defesa do Código Florestal brasileiro, que está sofrendo propostas de mudanças impostas por poderosos interesses.
Este blog está em construção. Mas acompanhe-nos pois a cada dia colocaremos novas informações sobre o que está sendo proposto, o que está em jogo com as mudanças, e o que estamos fazendo - e você pode fazer! - pra impedir que elas se concretizem.
Quer participar do movimento? Apareça na nossa próxima reunião: dia 16/6 (quinta-feira), às 19h, no prédio da Arquitetura, campus 1 da USP (entrada pela portaria da marginal). Lembremos que ainda há tempo de barrar as mudanças no Código!